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Síndrome de Munchausen

Síndrome de Munchausen

Neste artigo, o Dr. Willian Rezende do Carmo, médico neurologista, fundador da Clínica Regenerati e que no seu canal do YouTube fala a respeito de Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia Geral, vai explicar sobre a Síndrome de Munchausen, que está sendo falada, é presente, está no dia a dia.

Então, o que é essa Síndrome? Como identificar? Quando não é um Munchausen? É sobre isso que vamos abordar e alguns exemplos.

O que é a Síndrome de Munchausen?

Primeiro, temos que entender: o que é Munchausen? É um transtorno factício, que foi criado, imposto a si mesmo, também conhecido como Síndrome de Munchausen. É um transtorno em que os afetados fingem ou induzem doença, lesão, abuso ou trauma psicológico para chamar atenção, ganhar simpatia ou segurança para si mesmos.

Por exemplo, a pessoa que se traumatiza com quedas, pancadas e até se joga da escada para mostrar lesões, ou toma medicamentos para darem efeitos colaterais para fingir doenças, como laxativos e medicamentos que provocam vômito.

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A Síndrome de Munchausen refere-se, tipicamente, aos sinais e sintomas predominantemente físicos, narrados ou produzidos pelos pacientes, mas também tem uma história de hospitalização recorrente, viagens e histórias dramáticas e extremamente improváveis de suas experiências passadas.

Como, por exemplo, pacientes relatando que ficaram permanentemente sequelados por ação de algum outro médico ou um procedimento não legalizado, torturante, em situações que sabidamente ele não tem como ter tido tal lesão.

Tal como ter ido a um fisioterapeuta e ter tido uma passagem que o deixou paraplégico: a pessoa fez uma massagem no paciente e ele saiu paraplégico, fica se arrastando na cadeira de rodas o tempo inteiro.

A condição deriva do nome do personagem fictício Baron Munchausen, que também está relacionado ao transtorno factício imposto a outra pessoa ou Munchausen by Proxy ou Munchausen por procuração, que se refere ao abuso de outra pessoa, normalmente, criança ou incapaz, para buscar atenção ou simpatia pelo agressor.

Esse tipo de transtorno tipicamente é quando uma mãe é agredida ou ameaçada pelo pai da criança, ou simplesmente é abandonada e ignorada pelo pai, então, ela fica produzindo maus-tratos na criança ou dando medicamentos para produzir sintomas para que isso gere a atenção e simpatia do pai / agressor.

O que não é?

Munchausen não pode ser confundida com transtornos de somatização. A Síndrome é deliberadamente produzida pelo paciente. Já na somatização, ele sente sintomas que são consequências de transtornos psíquicos subjacentes.

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Vamos diferenciá-los, mas enquanto isso, dê aquele like, compartilhe o artigo, escreva nos comentários as suas histórias, o que acha do Munchausen, comente o que já fez ou viu alguém fazer de fingir sintomas médicos – quase todo mundo já viu alguém fingir sintomas médicos. O Munchausen está relacionado a isso e é só para tornar bem clara a diferença.

No Munchausen, a pessoa produz os sintomas, ela finge, exagera. Agora, nos transtornos de somatização, a pessoa sente a coisa que tem origem de um fundo emocional, o distúrbio psíquico de ansiedade, de pânico e outros fazem o corpo sentir coisas e é real a sensação.

Eu vou dar mais alguns exemplos para que possamos compreender um pouco melhor a diferença entre elas.

Hipocondria

Podemos listar, a hipocondria, que é quando a pessoa fica excessivamente preocupada e com uma percepção alterada do funcionamento normal do corpo. Por exemplo, toda pessoa consegue perceber o coração batendo, mas o hipocondríaco fica tão focado nesse sinal fisiológico que acaba percebendo os batimentos como se fossem muito mais fortes do que são.

E justamente por estar com medo de ser um problema cardíaco, os batimentos aceleram pelo medo e a sensação fica mais forte ainda, o que pode levar o paciente a querer medicamentos para controlar a frequência cardíaca, por exemplo.

Disfunções Disautonômicas Somáticas

Existe a disautonomia por causa de doenças que lesaram os neurônios que controlam esse sistema e tem sintomas disautonômicos, que são respostas exageradas ao estresse, como cair a pressão por emoção forte, transpirar em excesso, subir a pressão, maior produção de ácido gástrico, aumento da vontade de micção e da frequência, intestino solto ou muito preso.

Dor Somatoforme Persistente

Essa pode ter várias nuances, mas seja pelo aumento da percepção da dor real, por manter-se constantemente contraída a pessoa ou por manter um comportamento constante da ativação de gatilhos de dor, o paciente acaba tendo uma dor crônica que é desproporcional às lesões biológicas.

A dor é real, tem dor, tem problema, mas o estado psíquico da pessoa aumenta a percepção da dor e isso acaba gerando a perpetuação, o aumento da percepção, gerando novos gatilhos de dor também no próprio paciente. Então, isso tudo é muito real sim, não é inventado, a pessoa sente, mas o quadro psíquico aumenta.

Sintomas Factícios para Ganho Secundário Social

Os sintomas factícios para ganho secundário social são outro tipo. A pessoa produz, mas não é para que todo mundo tenha pena dela, é diferente; é para conseguir um objetivo específico.

Diferentemente do Munchausen, que tem que ter o objetivo de produzir pena e empatia para com o paciente, e que são recorrentemente feitos esses eventos de fingir uma doença, existem as pessoas que fingem sintomas para ganhar algum objetivo imediato ou punir alguém imediatamente.

Como pacientes que fingem uma lombalgia aguda para receber um atestado, o que é extremamente comum nos plantões médicos nas Sextas-Feiras à noite. Eu me lembro que quando dava plantão na Sexta-Feira, tinha uma empresa de telemarketing próxima ao hospital em que trabalhava.

Era certeza que tinham meninas chegando no Pronto-Socorro, já maquiadas, com roupa de balada, salto alto, dizendo que estavam indo trabalhar e estavam com alguma dor, algum sintoma e no final das contas, víamos que era para ganharem atestado. Mas elas acabavam levando um ‘chá de cadeira’, recebendo medicamento na veia bem lentamente, porque eu estou lá para cuidar da pessoa, não para dar atestado para o povo ir para balada.

Ou de jovens do tiro de guerra, que eu atendia, que não queriam fazer alguma atividade específica, então, passavam pimenta nos olhos para fingir que era conjuntivite, dava dó vê-los chegando com o olho todo lacrimejado, inflamado e ainda até com semente de pimenta nos cílios de ter passado o negócio.

Também tem o caso clássico das gestantes que sempre se queixam de uma cólica, alguma dorzinha, algum problema para irem no Pronto-Socorro toda Quarta-Feira à noite, todo Sábado à noite, porque é quando tem jogo e para não deixar os maridos irem para os bares assistir, elas fazem isso.

Todos esses são sintomas de fingimentos deliberados, mas não são Munchausen, que não tem algum ganho prático tão bem definido com a ida ao serviço médico, porém, a intenção é de gerar a atenção, receber empatia e comumente tem o componente do exagero, do fantasioso e é persistente.

Origem do Nome Munchausen

Agora, vamos explicar a origem do nome Munchausen, que vem de um barão alemão, nascido em 1720 e participou da Guerra Russo-Turca de 1739.

Ele tinha muito carisma, fazia muito sucesso contando suas histórias de aventuras militares na Rússia, só que exagerava muito nas suas aventuras. Os nobres mal chegavam perto dos campos de batalha naquela época.

Ele tinha narrativas de enfrentar o frio gélido da Rússia, fazer proezas atléticas absurdas no campo de batalha, habilidades de combate com espada extremamente fora da realidade e acabou fazendo sucesso contando as histórias exageradas e acabavam tocando várias pessoas, especialmente, as da nobreza e os mais ricos que se admiravam com essas histórias.

Mas depois começou a irritar as pessoas mais comuns da sociedade naquela época. Isso é muito parecido com hoje em dia; na época das narrativas políticas, das redes sociais, tem muita gente contando ‘histórias a la Munchausen’.

Então, vem um livro de sátira, em 1785, que era a “Narrativa do Barão de Munchausen, de suas Maravilhosas Viagens e Campanhas na Rússia”, que narrava as histórias com um exagero absurdo, fazendo uma sátira do próprio Munchausen.

No livro tinha os feitos como montar em uma bala de canhão e atravessar o campo de batalha, viajar todo o campo de batalha e lutar sozinho contra diversos guerreiros, lutar sozinho contra um crocodilo de três metros e vencer, viajar até a lua. Obviamente, tudo era irreal, mas era justamente para fazer uma sátira, uma comédia e uma crítica ao exagero do cara.

História de Paciente Real

E temos também histórias de pacientes reais com Síndrome de Munchausen.

Infecção de Urina Recorrente e que Nada Curava a Infecção

Por exemplo, eu atendi uma enfermeira que tinha infecção urinária recorrente e constantemente dava entrada na internação, no hospital, com queixa de sintomas de infecção e urina alaranjada, e ficávamos “putz, o que é isso?”

Quando nós fazíamos os exames, ela tinha um hemograma com aumento no número de leucócitos e um exame de urina com bactérias e leucócitos, células de defesa do corpo que quando estão aumentados e presentes na urina, isso está errado.

Como eram recorrentes as internações e muito próximas, achávamos que era falha terapêutica e cada vez aumentávamos a potência dos antibióticos. Isso foi até a última internação, em que já estávamos suspeitando que tinha algo errado nesse caso.

Insistimos na presença de outra enfermeira para realizar a coleta do exame de urina, então, esse exame veio normal, mas com uma urina alaranjada ainda assim e tinham os leucócitos elevados no sangue.

Fizemos o exame de sangue, ainda estava com o leucócito elevado, então, solicitamos para fazer uma inspeção no quarto dela e foram encontrados o Pyridium e a Prednisona. O Pyridium é utilizado para reduzir alguns sintomas de infecção urinária baixa, mas se tomado em doses maiores, deixa a urina muito alaranjada, e o corticoide tem um efeito colateral de aumentar os números de leucócitos no sangue.

E a urina era alterada, porque quando ela coletava sozinha, adulterava a urina colocando material contaminado, então, apareciam as alterações no exame de urina. Assim, a história toda foi descoberta e conseguimos encaminhar e tratar corretamente do ponto de vista psiquiátrico a paciente.

Perda de Força em Membros Inferiores

Tem outro caso, que é de perda de força nas pernas. A paciente chegou no consultório, na cadeira de rodas, e disse que estava assim há dois anos. Não teve trauma, AVC, infecção, mielite, meningite, lesão de nervos periféricos, doença autoimune.

Foram realizados exames de ressonância do cérebro, da coluna cervical, torácica e lombar, eletroneuromiografia, ultrassom de nervos periféricos, potencial evocado sensitivo, potencial evocado motor, ressonância do plexo; nenhum exame deu alterado. Ela não conseguia ficar de pé e precisava de outras duas pessoas dando apoio para conseguir ficar um pouquinho de pé.

E foi nesse segundo que resolvi pegar a paciente sozinho. Eu tinha ligado uma música no consultório, começamos a dançar e devagarinho, no embalo da música, ela foi se distraindo e começou a dançar completamente. A música foi agitando e quando vimos, ela estava dançando normalmente. A mãe, que estava junto, ficou maravilhada e dizendo “milagre, milagre” e comemorou, a paciente nem tanto.

Então, eu expliquei para ambas o que era a síndrome factoide, indiquei psicoterapia, psiquiatra e fisioterapia, até mesmo porque ela, querendo ou não, estava há dois anos sentada na cadeira de rodas, sem andar.

Isso é a Síndrome de Munchausen, ela é real, está perto de todos nós e pode gerar vários problemas para todo mundo, especialmente se os médicos não perceberem. E pode até gerar problemas para outras pessoas, como as crianças, que acabam sofrendo com maus-tratos e problemas por conta da mãe.

E quanto mais pessoas souberem disso, melhor é para o próprio indivíduo que está fazendo o problema.

Se você conhece alguém que já fingiu algum sintoma, talvez tenha um Munchausen, pegue o link deste artigo, compartilhe com ela, talvez isso a ajude a tomar consciência, ou algum médico, alguma outra pessoa possa igualmente ter mais consciência.

Assista ao vídeo e saiba mais:

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